1
2
3
Garantindo o acesso e permanncia
de todos os alunos na escola
Alunos com necessidades
educacionais especiais
Oficinas Pedaggicas: Um espao para o
desenvolvimento de competncias e
habilidades na educao profissional
4
Presidente da Repblica
Fernando Henrique Cardoso
Ministro de Estado da Educao
Paulo Renato Souza
Secretrio Executivo
Luciano Oliva Patrcio
Secretria de Educao Especial
Marilene Ribeiro dos Santos
FICHA TCNICA
Coordenao: SORRI-BRASIL
Elaborao: Maria Salete Fbio Aranha
Projeto grfico e copydesk: Alexandre Ferreira
Agradecimentos: Equipe Tcnica da Secretaria de Educao Especial
Tiragem: 10.000 exemplares
Autorizada reproduo total ou parcial, desde que citada a fonte.
Projeto Escola Viva - Garantindo o acesso e permanncia de todos
os alunos na escola - Alunos com necessidades educacionais
especiais, Braslia: Ministrio da Educao, Secretaria de Educao
Especial,
C327 2000, Srie 2
I 96p.: il.
Iniciando nossa Conversa
1. Identificando e atendendo as necessidades educacionais especiais
dos alunos com altas habilidades/superdotao
2. Reconhecendo os alunos que apresentam dificuldades acentuadas
de aprendizagem, relacionadas a condutas tpicas
3. Oficinas Pedaggicas: Um espao para o desenvolvimento de
competncias e habilidades na educao profissional
Resumindo nossa Conversa
CDD: 372.6
CDU: 342.71
5
ndice
Apresentao............................................................................. 7
Histrico da Institucionalizao ao Trabalho Inclusivo.................... 8
O Direito da Pessoa com Deficincia ao Trabalho: Amparo Legal.. 11
A Educao Profissional e o Mundo Produtivo ............................ 16
Oficinas Pedaggicas: Um Espao de Educao Profissional para
Alunos com Necessidades Educacionais Especiais Significativas.. 21
Aspectos Metodolgicos............................................................. 23
Concluso.................................................................................. 39
6
7
Apresentao
Prezado Professor:
Vimos, desta vez, at voc, tratar de um tpico de extrema importncia,
ou seja, da Educao Profissional da pessoa com
necessidades educacionais especiais, no mbito das Oficinas
Pedaggicas.
Vamos focalizar, especialmente, a questo do trabalho, j que
esta  uma atividade essencial para a construo da identidade social
e pessoal de todo indivduo.
Constata-se que o homem buscou sempre, atravs do trabalho,
satisfazer suas necessidades primrias e,  medida que foi
atuando e modificando a realidade, foi tambm desenvolvendo novas
funes mentais, de nvel superior s que detinha anteriormente, e
criando novas necessidades, mais sofisticadas. Estas, por sua vez,
refazem este ciclo e processo, promovendo constantemente a
transformao da realidade e a transformao do prprio homem.
Assim, temos que o trabalho tem papel de fundamental importncia
na promoo da satisfao e realizao pessoal, alm de ser
elemento fundamental na construo da identidade de cada um de
ns.
Em suma, o trabalho, enquanto atividade humana, faz de
cada pessoa, cidados, enquanto que a alienao nos torna
objetos, coisas, passivos receptculos de imposies aparentemente
naturais.
8
Antes do sculo XX, o trabalho nunca foi uma questo relacionada
com as pessoas portadoras de deficincia, at meados deste sculo,
o nico destino dessas pessoas era o da institucionalizao total,
sob argumentaes diversas, que iam desde a necessidade de
proteger a sociedade do risco representado por essas pessoas, at
a idia caridosa de prestar assistncia e conforto espiritual aos
desvalidos sociais.
No final dos anos 50, comeou a proliferar a idia da importncia
de se ocupar o tempo das pessoas institucionalizadas, como
instrumento de cura. Assim, a idia de trabalho, para as pessoas
com deficincia, nasceu com objetivos teraputicos, ou seja, a de
ocupar o fsico e a mente daqueles que so desviados da norma.
A idia do trabalho como instrumento clnico, sucedeu-se a preocupao
pedaggica. A escassez de trabalhadores ativos, no
perodo ps-guerra, abriu espao para a descoberta das mulheres,
como trabalhadoras, e das pessoas com deficincia, j que grande
parte da populao masculina que ia para a guerra, voltava com algum
tipo de deficincia. Assim, passou-se a considerar a possibilidade de
se aproveitar essa parcela da populao para atender s necessidades
do mercado.
Entretanto, essas pessoas no poderiam simplesmente comear
a trabalhar. Muitas delas se traumatizaram, fsica e psicologicamente,
tornando-se deficientes. Desta forma, iniciou-se a implementao
de programas denominados de Reabilitao Profissional. Tais
programas objetivaram ensinar competncias profissionais, desde
as mais primrias, como como achar vagas de emprego, at as
mais complexas, como a capacitao em uma funo ocupacional, o
relacionamento no contexto do trabalho, etc.
Histrico da Institucionalizao ao
Trabalho Inclusivo
9
Esse trabalho,  medida que foi produzindo bons resultados passou
a influenciar o pensar social, incluindo, tambm, o pensar do sistema
pblico de Educao.
Assim, passou-se a afirmar a necessidade do indivduo aprender a
trabalhar, de forma que pudesse desenvolver seu potencial, re-construir
sua identidade pessoal e social, recuperar sua auto-estima, conseguir
ingressar no mercado e contribuir com a sociedade, em igualdade de
condies com os demais trabalhadores.
Em funo dessas idias, comearam a surgir, na dcada de 50,
as chamadas oficinas pedaggicas pr-profissionalizantes ou
profissionalizantes, fundamentadas na idia de que a pessoa
portadora de deficincia precisava desenvolver hbitos de trabalho,
antes de adquirir uma habilitao, ou capacitao especfica.
 medida que o trabalho foi se desenvolvendo, comeou-se a
identificar que algumas pessoas com deficincia no conseguiam
alcanar os objetivos estabelecidos para as referidas oficinas. Lembrando
que no paradigma ento vigente um problema de aprendizagem
no era considerado problema do ensino, e portanto,
no era responsabilidade do professor, mas sim, era um problema
do aluno, buscou-se criar uma outra alternativa que desse conta de
acomodar a aqueles que eram julgados no ter potencial a ser
desenvolvido, ou eram julgados apresentar um limite muito aqum
do exigido pelo mercado de trabalho. Foi assim que surgiram as hoje
denominadas oficinas abrigadas ou protegidas
Ao analisarmos, ento, a questo da profissionalizao, do trabalho
e do emprego para pessoas portadoras de deficincia, em nossa
realidade, fica evidente o nmero reduzido de instituies brasileiras
que tm, como objetivo especfico, a capacitao profissional e a
colocao no mercado de trabalho.
10
A maioria dessas instituies  de pequeno porte e desenvolve,
basicamente, atividades artesanais. Tais servios, na realidade,
buscam ocupar as pessoas com deficincia.
Em nmero muito menor h instituies que apresentam como
finalidade mais clara e objetiva, o trabalho e o emprego da pessoa
com deficincia. A maioria marca suas aes pedaggicas pela busca
da construo da eficincia, por parte desse alunado, na execuo
de trabalhos pr-profissionalizantes e profissionalizantes. Outras,
poucas, buscam preparar o indivduo, primeiro, para depois
encaminh-lo para uma colocao no mercado competitivo.
Outras, em nmero ainda insipiente, esto iniciando mudanas,
com vistas a favorecer a construo de um contexto de trabalho
inclusivo. Tm se afastado do padro de buscar o desenvolvimento
global e total do indivduo antes de seu ingresso no mercado de
trabalho, na direo de uma nova prtica, de intervir e transformar
o prprio mundo do trabalho de forma que este se ajuste e se
organize para oferecer os suportes que favoream a participao
e a possibilidade de produo da pessoa com deficincia.
Pelo exposto, fica claro o desafio que se nos apresenta, neste
momento: o de ampliar os recursos sociais de preparao para
o trabalho (que, em nossa realidade, so ainda insuficientes) e
implement-los no contexto da Educao, fundamentados na
filosofia da incluso, o que exige de ns, a transformao de idias
e de prticas, na busca da construo de um mundo do trabalho
inclusivo.
11
A Constituio da Repblica Federativa do Brasil (1988), em
seus Artigos 6o. e 7o., assegurou o direito ao portador de deficincias
ao trabalho, para melhoria de sua condio social e
probe qualquer discriminao no tocante a salrios e critrios
de admisso do trabalhador.
Recomenda, ainda, a Constituio Federal, que o Estado crie
programas de preveno e de atendimento especializado aos
portadores de deficincia fsica, sensorial ou mental, e que se promova
a integrao social do adolescente, mediante capacitao para o
trabalho, e a facilitao do acesso aos bens e servios coletivos, como
a diminuio de preconceitos e obstculos arquitetnicos.
A Lei no. 7.853/ 89, de 04 de outubro de 1989, estabeleceu normas
gerais que asseguram o apoio governamental  formao profissional, 
orientao e  garantia de acesso aos cursos voltados  formao
profissional. Assegura, tambm o empenho do poder pblico em
promover o surgimento e a manuteno de empregos, inclusive
de tempo parcial, destinados s pessoas portadoras de deficincia,
quando estas no tiverem acesso aos empregos comuns.
A Instruo Normativa n 5, do Ministrio do Trabalho e da
Previdncia Social, disps sobre a fiscalizao do trabalho das
pessoas portadoras de deficincia, definindo que tarefas realizadas
sob a orientao de organizaes no governamentais, com fins
teraputicos ou de desenvolvimento da capacidade laborativa, no
caracteriza relao de emprego.
O Estatuto da Criana e do Adolescente (Lei no. 8.069/90 de
13 de setembro de 1990), que dispe sobre a proteo integral 
criana at os 12 anos e ao adolescente at os 18 anos, assegurou,
O Direito da Pessoa com Deficincia ao
Trabalho: Amparo Legal
12
ao portador de necessidades especiais, o trabalho protegido, e
preconizou que o programa social tenha por base o trabalho
educativo, sob a responsabilidade de entidade governamental, ou no
governamental. Estas, por sua vez, devem assegurar ao adolescente
que dele participe, condies de capacitao para o exerccio de
atividade regular remunerada.
A Lei no. 8.859/94, de 23 de maro de 1994, estendeu, aos
alunos da educao especial, o direito  participao em
atividades de estgio, em unidades que tenham condies de
proporcionar experincia prtica na linha de formao dos estagirios,
devendo o aluno estar em condies de realizar o estgio.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional, Lei n
9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabeleceu como uma das
diretrizes para os contedos curriculares da educao bsica, a
orientao para o trabalho. No Captulo III, tratou especificamente
da Educao Profissional, integrando-a no sistema de educao
nacional. No Captulo V, tratou da Educao Especial, recomendando,
preferencialmente, a insero do aluno portador de necessidades
educacionais especiais na rede regular de ensino, prevendo servios
de apoio, e a educao especial para o trabalho.
No que se refere  abrangncia, a LDB estabeleceu que a educao
envolve os processos formativos que se desenvolvem na
vida familiar, na convivncia humana, no trabalho, nas instituies
de ensino e de pesquisa, nos movimentos sociais e
organizaes da sociedade civil, nas manifestaes culturais,
devendo a Educao Escolar estar vinculada ao mundo do trabalho
e  prtica social.
Em seu artigo 2o, enfatizou ainda, que a finalidade da Educao
 o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para
o exerccio da cidadania e sua qualificao para o trabalho.
13
O Decreto no. 2.208, de 17 de abril de 1997, regulamentou o 
2o. do Art. 36 e os Arts. 39 a 42 da Lei no. 9.394, de 20 de
dezembro de 1996 (L.D.B.), ratificando o contido na Lei de Diretrizes
e Bases.
O Art. 3o., desse mesmo Decreto, definiu a educao profissional
como um processo que compreende trs nveis: Bsico,
Tcnico e Tecnolgico.
A educao profissional de nvel bsico foi definida como uma
modalidade de educao no formal, com curso de durao
varivel, destinada a proporcionar ao cidado trabalhador, conhecimentos
que lhe permitam re-profissionalizar-se, qualificar-
se e atualizar-se para o exerccio de funes demandadas
pelo mundo do trabalho, compatveis com a complexidade
tecnolgica do trabalho, o seu grau de conhecimento tcnico
e o nvel de escolaridade do aluno, no estando sujeita  regulamentao
curricular, sendo que, ao trmino, dever ser-lhe
concedido certificado de qualificao profissional.
A educao profissional de nvel tcnico, por sua vez, foi definida
como destinada a formar profissionais especializados em
certas tecnologias e processos, que tenham um componente
gerencial e necessidade de mais sofisticao, como saber
interpretar desenhos tcnicos, ler instrumentos e outras
atividades mais elaboradas. O tcnico precisa de uma Educao
geral consistente, para apoiar a formao profissional. Por
isso, o aluno deve estar cursando, ou j ter concludo, o ensino mdio.
Trata-se de Educao formal, com padres curriculares e carga
horria mnima definidos, de validade nacional, gerando diploma
e direitos profissionais. (Berger Filho e Valle, p. 7).
J o terceiro nvel da Educao Profissional se refere ao
tecnolgico, que embora no seja necessariamente de carter
14
universitrio,  de nvel superior e tambm confere diploma.
A diferena com relao ao curso universitrio tradicional  que
este forma alunos, visando a produo do conhecimento, por meio de
um ensino voltado para a pesquisa, enquanto que o nvel tecnolgico
 voltado para a produo de bens e de servios.
No artigo 39, o Decreto no. 2.208 enfatizou que a educao
profissional, integrada s diferentes formas de educao para o
trabalho,  cincia e  tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento
de aptides para a vida produtiva.
A Lei no. 10.097, de 19.12.2000, por sua vez, em seu Art. 428,
definiu que Contrato de aprendizagem  o contrato de trabalho especial,
ajustado por escrito e por prazo determinado, em que o empregador se
compromete a assegurar ao maior de quatorze e menor de dezoito anos,
inscrito em programa de aprendizagem, formao tcnico-profissional
metdica, compatvel com o seu desenvolvimento fsico, moral e
psicolgico, e o aprendiz, a executar, com zelo e diligncia, as tarefas
necessrias a essa formao. No Art. 430, II, determinou que na
hiptese de os Servios Nacionais de Aprendizagem no oferecerem
cursos ou vagas suficientes para atender  demanda dos
estabelecimentos, esta poder ser suprida por outras entidades
qualificadas em formao tcnico-profissional metdica, a saber:
II  entidades sem fins lucrativos, que tenham por objetivo a
assistncia ao adolescente e  educao profissional, registradas no
Conselho Municipal dos Direitos da Criana e do Adolescente.
 1o As entidades mencionadas neste artigo devero contar com
estrutura adequada ao desenvolvimento dos programas de
aprendizagem, de forma a manter a qualidade do processo de ensino,
bem como acompanhar e avaliar os resultados.
Na publicao do decreto no. 3.298, de 20 de dezembro de 1999,
15
ficou estabelecido que a educao profissional ser desenvolvida em
articulao com o ensino regular, ou em modalidades que contemplem
estratgias de educao continuada, podendo ser realizada tanto
em escolas regulares, em instituies especializadas, ou nos prprios
ambientes de trabalho.
Como se pode constatar, na exposio dos instrumentos legais
acima apresentados, a lei brasileira assegurou, ao aluno que
apresenta necessidades educacionais especiais, a educao
para o trabalho, num contexto educacional inclusivo, visando
sua efetiva integrao na vida em sociedade. Aliado a isso,
estipulou as condies para o atendimento dos que no revelarem
capacidade de insero no trabalho competitivo, mediante articulao
com os rgos oficiais afins, bem como para aqueles que
apresentam uma habilidade superior nas reas artstica, intelectual
ou psicomotora.
16
Segundo relatrio da UNESCO para a Educao do sculo XXI
(2002), A Educao Profissional no Brasil est mudando. O pas
alertou-se para o fato de que sua populao economicamente ativa
no pode permanecer com to baixos nveis de escolaridade e de
formao profissional.
Nesse contexto, a educao profissional precisa proporcionar s
pessoas um nvel mnimo de competncias que lhes possibilitem:
1. Capacidade de adaptao a um aprendizado gil e contnuo
2. Flexibilidade nas unidades de aprendizagem
3. Domnio das novas tecnologias, incorporadas ao mundo
do trabalho e ao conhecimento humano
4. Acesso a processos revolucionrios, como novos sistemas
produtivos, qualidade total, e novas formas de gesto.
Competncia, nesse caso,  considerada um conjunto de aes
que envolvem o domnio dos quatro pilares que fundamentam a
educao, quais sejam:
1. Aprender a Conhecer  desenvolvimento de competncia
para construir conhecimento, exercitar pensamentos,
ateno e percepo para contextualizar informaes e
para saber se comunicar;
2. Aprender a Fazer  por em prtica os conhecimentos
significativos em trabalhos futuros, enfatizando a educao
profissional, descobrindo o valor construtivo do trabalho, sua
importncia, e transformando o progresso do conhecimento
em novos empreendimentos e em novos empregos;
A Educao Profissional e o
Mundo Produtivo
17
3. Aprender a Ser  a educao deve preparar o aluno de
forma integral: fsica, intelectual e moral  para que ele
saiba agir em diferentes situaes e condies, por si
mesmo.
4. Aprender a Conviver   saber conviver com os outros,
respeitando as diferenas, vivendo junto para desenvolver
projetos solidrios e cooperativos, em busca de
objetivos comuns, por meio da solidariedade e da compreenso.
Assim, competncia,  a possibilidade de articular, de mobilizar
os recursos cognitivos, as estruturas mentais (pensamento,
ateno, comunicao, informao, etc.) para enfrentar ou resolver
situaes ou problemas, ou seja, saber o que fazer, porque
fazer, para que fazer, quando fazer e como fazer.
A operacionalizao dessas estruturas mentais se objetiva em
habilidades, as quais so classificadas em trs tipos:
 Habilidades Bsicas  aquelas essenciais para as pessoas
decodificarem textos, smbolos, expressar suas idias,
saber comunicar-se verbalmente e por escrito;
 Habilidades Especficas  aquelas relacionadas aos conhecimentos
tcnicos e cujas competncias so demandadas
por profisses, por atividades do mundo do trabalho;
 Habilidades de Gesto  relativas ao aprender a trabalhar
em equipe, tomar decises em conjunto, superar
conflitos, planejar em grupo, enfim, habilidades vinculadas
 organizao do trabalho. (UNESCO, 2002, p. 1-2).
18
O princpio da Educao Profissional  o da empregabilidade,
pois no adianta formar pessoas para um mercado que no existe
(Berger Filho). Assim, faz-se necessrio conhecer profundamente
as caractersticas e o perfil do mundo ocupacional, como
parmetros norteadores do planejamento da Educao Profissional.
Ora, sabe-se que o mundo ocupacional, nos dias de hoje, vem
exigindo dos trabalhadores, nveis educacionais cada vez mais altos,
para que dem conta de competncias cada vez mais refinadas,
exigidas pela complexidade que caracteriza a vida em sociedade.
O que so competncias, e no que elas diferem das habilidades
a serem adquiridas no processo de Educao Profissional,
em qualquer um dos trs nveis que a caracterizam?
Entendemos por competncias, os esquemas mentais, ou
seja, as aes e operaes mentais de carter cognitivo, scioafetivo
ou psicomotor, que mobilizadas e associadas a saberes
tericos ou experienciais geram habilidades, ou seja, um saber fazer...
delas nos utilizamos para estabelecer relaes com e entre
objetos, situaes, fenmenos e pessoas que desejamos
conhecer. As competncias so estruturadas em rede, e quando
mobilizadas, permitem a incorporao de novos conhecimentos
e sua integrao significada, possibilitando a reativao
de esquemas mentais e saberes em novas situaes, de forma
sempre diferenciada. (Berger Filho, p. 5)
J as habilidades se referem ao plano imediato do saber fazer,
sendo decorrentes das competncias j adquiridas. Dialeticamente,
o uso das aes e operaes mentais (competncias existentes)
possibilita o desenvolvimento, o aperfeioamento e a
articulao de habilidades (saber fazer), determinando uma
conseqente re-organizao das competncias inicialmente
19
existentes, e novas possibilidades de aprendizagem. (Berger
Filho, p. 5).
O quadro abaixo exemplifica, em um programa de ensino, a discriminao
de competncias e de habilidades.
Curso: Oficina de Vassouras
Atividade: Pesquisa de Mercado e Confeco de Vassouras
Produto: Vassoura
ETAPA
 Importncia do
produto a ser
confeccionado e
sua utilizao
 Reconhecimento
dos instrumentos
que compem o
produto
 Reconhecimento
dos passos
necessrios
para sua
confeco
 Aquisio dos
materiais para
confeco,
dando nfase 
qualidade do
produto
 Execuo
prtica de cada
passo para a
confeco da
vassoura, da
iniciao at o
acabamento
 Comercializao
do produto
COMPETNCIA
 Capacidade de
identificar o
produto e sua
utilizao
 Capacidade de
memorizao
e de
associao
 Capacidade de
locomoo, de
comunicao
 Capacidade de
abstrao,
necessria
para a
confeco de
vassouras
HABILIDADE
BSICA
 Coordenao
motora fina e
global
 Funes
intelectuais
(ateno,
concentrao,
memria,
raciocnio,
associao,
etc.)
 Matemtica
bsica
 Conhecimento
do sistema
monetrio
 Interao
 Mobilidade
 Noes de
quantidade
 Comunicao
escrita
HABILIDADE
ESPECFICA
 Reconhecer os
passos para a
confeco de
vassouras,
no somente
de piaava,
mas tambm
de outros
materiais.
 Implementar
formas
diferenciadas
para confeco
de vassouras,
como:
escoves e
escovinhas
HABILIDADE
DE GESTO
 Divulgao do
produto para
venda
 Poder de
compra e venda
 Comercializao
20
Um currculo de Educao Profissional, portanto, no pode
ser fechado e rgido, sob pena de ser inoperante no que se refere
ao preparo do aluno para atuao no mundo ocupacional. Assim, h
que se definir as competncias e as habilidades que o aluno
deve conquistar numa rea determinada, ao invs de definir
currculos ou disciplinas.
A flexibilidade curricular, nesse contexto, faz-se essencial para
que a Educao Profissional d conta de formar trabalhadores com
competncias e habilidades que lhe permitam atuar, com sucesso,
no mundo ocupacional. (Berger Filho e Valle, p. 8).
H tambm que se considerar, na avaliao profissional, os fatores
de empregabilidade, o perfil do mercado de trabalho local, suas
demandas e exigncias.
21
 medida que os valores e idias sociais foram se modificando,
passou-se a considerar que a pessoa com deficincia tinha o direito
de ser normalizada, ou seja, de viver onde a maioria da populao
vive, de estudar onde a maioria estuda e de trabalhar onde a maioria
trabalha. Para que se normalizasse, entretanto, tinha-se como
necessrio que esta fosse avaliada e recebesse servios nas reas
em que deles necessitasse, para poder funcionar como a maioria das
pessoas funcionam. Estas idias originaram o que se denominou
Paradigma de Servios. As Oficinas Pedaggicas que
assumiram este paradigma passaram, ento, a prestar tais
servios, com o intuito de modificar o sujeito, de forma que
quando normalizado pudesse ser integrado  sociedade, em
geral, e ao mercado de trabalho, em particular. Desta forma, a
pessoa com deficincia era mantida em ambiente segregado,
para ser re-colocada no espao comum da sociedade somente
quando fosse considerada pronta. Ora, sabe-se que pessoas
que apresentam alguns tipos de caractersticas (paralisados cerebrais,
deficientes mentais com comprometimento severo do funcionamento
intelectual, da comunicao, e de repertrio comportamental
adaptativo) dificilmente alcanaro um padro semelhante ao
apresentado pela maioria da populao. Assim, a estes, que
apresentavam um comprometimento funcional mais significativo, o
objetivo da normalizao se tornava, na realidade, um obstculo
praticamente intransponvel para sua integrao na sociedade.
O questionamento crtico deste paradigma originou novas idias,
que re-direcionaram o foco do olhar social da pessoa com deficincia,
para o contexto no qual esta se encontra inserida.
Oficinas Pedaggicas: Um Espao de
Educao Profissional para Alunos com
Necessidades Educacionais Especiais
Significativas
22
Assim, proliferou a idia de que, independentemente do tipo
de deficincia que a pessoa apresenta, bem como do grau de
seu comprometimento, esta tem o direito imediato de viver e
de trabalhar no espao comum da vida em sociedade.
Para que isto seja vivel, entretanto, o contexto social precisa
se modificar, e promover as adaptaes que se mostrarem
necessrias para responder ao conjunto de necessidades
especiais apresentadas por essas pessoas.
A esta nova forma de pensar, denominou-se Paradigma de
Suportes.
As Oficinas Pedaggicas, ento, neste novo contexto de
idias e de prticas, confrontam-se com a necessidade de promover
os ajustes que as insiram no esprito de um novo
paradigma, filosfica e legalmente fundamentado neste pas.
23
Aspectos Metodolgicos
Objetivos da Oficina Pedaggica
Embora a questo do trabalho permeie todas as etapas da escolaridade
e nveis de ensino, a Oficina Pedaggica  a instncia
responsvel pela 1a. etapa  Iniciao para o Trabalho, historicamente
realizada nas escolas especiais governamentais, ou nas
organizaes no governamentais.
Cabe a ela o ensino de competncias e habilidades bsicas,
essenciais para o funcionamento do aluno em todas as instncias
da vida em comunidade, e especificamente, na instncia do
mundo ocupacional.
Assim, ao invs de se investir no ensino de uma atividade
profissional especfica, esta dever ser uma atividade-meio para
o ensino das competncias e habilidades bsicas.
A quem se destinam
Embora a questo do trabalho permeie todas as etapas da
escolaridade e nveis de ensino, a Oficina Pedaggica  a instncia
responsvel pela 1a. etapa  Iniciao para o Trabalho, historicamente
realizada nas escolas especiais governamentais, ou nas
organizaes no governamentais.
Cabe a ela o ensino de competncias e habilidades bsicas,
essenciais para o funcionamento do aluno em todas as instncias
da vida em comunidade, e especificamente, na instncia do
mundo ocupacional.
Assim, ao invs de se investir no ensino de uma atividade
24
profissional especfica, esta dever ser uma atividade-meio para
o ensino das competncias e habilidades bsicas.
Mtodo de Ao
So vrias as consideraes que devem ser feitas no que se refere
ao mtodo de ao das Oficinas Pedaggicas.
1. Atendimento individualizado
H que se garantir ateno individualizada, a cada aluno. 
essencial que se conheam as possibilidades e as necessidades
educacionais especiais de cada um dos alunos, os interesses profissionais.
 tambm essencial que se conheam as peculiaridades e
caractersticas do mundo ocupacional existente e disponvel na regio.
A partir de tais dados, torna-se possvel fazer uma avaliao
cuidadosa de ambos (demandas e ofertas do mundo ocupacional e
peculiaridades do aluno em seu contexto amplo de existncia), o que
permitir o delineamento de um Plano de Ensino efetivo e significativo.
Sem uma avaliao criteriosa, cuidadosa e contnua, um currculo
individualizado voltado para a Educao Profissional no ser
adequadamente desenvolvido. Assim, o Plano Individualizado de
Aprendizagem torna-se um instrumento crtico de planejamento
para uma efetiva educao profissional.
2. Elaborao de Plano Individualizado de Aprendizagem
O Plano Individualizado de Aprendizagem, deve ser elaborado
para cada aluno, a partir de um conjunto de anlises:
1. ecolgica
2. funcional profissional
25
Entende-se por avaliao ecolgica, um tipo mais amplo de
anlise, voltada para a busca de uma maior compreenso sobre o
indivduo, em todas as ecologias e ambientes de sua vida...A anlise
ecolgica, assim, envolve:
1. A identificao da necessidade potencial de habilidades,
por parte do aluno
2. A identificao do uso que o indivduo faz de suas habilidades
nos contextos de sua vida real, e a identificao
de seus interesses e objetivos, bem como das pessoas
que lhe so significativas,
3. A identificao de suas necessidades de suporte e dos
sistemas de suporte disponveis. (Maxwell & Collet-
Klingenberg, 1988, pp. 157).
A avaliao ecolgica, portanto, essencial para a elaborao
do Plano Individualizado de Ensino, procura produzir o conhecimento
mais amplo possvel sobre cada aluno, sua histria, seu contexto
de existncia, suas caractersticas, os determinantes que atuam
sobre ele, suas necessidades e desejos, necessidades de suporte,
bem como os sistemas de suporte disponveis na comunidade em
que vive.
J a avaliao funcional profissional  mais especfica, focalizando
as necessidades, habilidades, e interesses do indivduo, 
luz do contexto dos futuros ambientes de trabalho.. Este tipo de
avaliao ajuda a determinar quer habilidades e competncias o
indivduo apresenta, como estes so usados no trabalho e em ambientes
relacionados ao trabalho, bem como que tipo e nveis de suportes
so necessrios e encontram-se disponveis (Maxwell & Collet-
Klingenberg, 1988, pp. 157).
Assim, ainda segundo o mesmo autor (p. 7 e 8), faz-se essencial
que a avaliao considere os seguintes aspectos:
26
 A interao entre o professor e os contedos de aprendizagem:
ou seja, as prticas educativas, em sala de
aula: este item supe, fundamentalmente, a avaliao da
qualidade da docncia e a natureza da proposta
curricular; em outras palavras, a programao da aula:
o equilbrio entre as diferentes capacidades e os diferentes
tipos de contedo, a seqenciao dos contedos, o mtodo
de ensino e os critrios de avaliao utilizados.
 A interao do professor com o aluno e com os demais
alunos, em relao aos contedos de aprendizagem. Isto
inclui prestar ateno  natureza da participao que
se exige do alunado, bem como aos apoios que o professor
lhes presta, e  relao pessoal / afetiva que se
estabelece entre o aluno com necessidades educacionais
especiais e seu grupo de colegas.
 A interao do aluno com seus companheiros, seja
individualmente, com alguns deles, seja com o grupo todo.
Isto inclui conhecer o tipo e a qualidade da relao,
tanto no campo mais ldico e afetivo, como em relao
com a aprendizagem. Em outras palavras,  identificar
se existe ou no uma cultura de trabalho compartilhado.
 Os contextos de desenvolvimento: a escola e a famlia.
No que se refere  escola, interessa tanto a dimenso
institucional, como a sala, instncia mais prxima
da aula, enquanto cenrio em que se do as interaes do
aluno com os professores, os companheiros e os contedos
da aprendizagem.
27
Em sntese
O processo de identificao das necessidades educacionais
especiais dos alunos tem que contemplar tanto o prprio indivduo,
com seu aparato biolgico de base e sua histria pessoal de relao
com o meio, como os diversos contextos de desenvolvimento
do aluno, sobretudo no que se refere  relao que se estabelece
entre eles.
Assim, tanto o indivduo, como a famlia e a escola se constituem
em focos de anlise, na busca da identificao dos meios a serem
utilizados para facilitar e favorecer o funcionamento dos alunos com
necessidades educacionais especiais.
A Anlise da Prtica Docente em Sala de Aula
Outro elemento essencial de anlise  o processo de ensino,
propriamente dito, que tem como protagonista, o professor.
Como  que o professor se relaciona com os contedos que lhe
cabe socializar? Que domnio do conhecimento ele tem?
Como  que o professor se relaciona com os alunos? Qual  o
nvel de conhecimento que ele tem sobre as peculiaridades e o
processo do aprender de cada um deles?
Como  que o professor avalia a relao dos alunos com os
contedos que ele est ensinando?
Como avalia a relao do aluno com ele prprio, professor, e
com seus companheiros?
Como  que o professor se utiliza dessas informaes? Ele as
incorpora para promover ajustes no seu plano de ensino? Ele as
28
ignora? Ou ainda, ele no dispe do hbito de efetivar tais estudos
e anlises?
Todas estas informaes, aliadas s referentes  instituio
escolar e s peculiaridades dos alunos so essenciais para a elaborao
de uma anlise compreensiva da relao de ensino e
aprendizagem, para a identificao das necessidades educacionais
especiais presentes no alunado, e para a
implementao dos ajustes pedaggicos e das adaptaes
curriculares que permitiro melhores condies de sucesso
para a aprendizagem dos alunos.
Para que essa anlise, entretanto, possa ser efetivada no cotidiano
da sala de aula, h que se:
1. Definir os indicadores que devem ser investigados
(como  que o professor facilita a aprendizagem dos
alunos). Sugere-se que se identifique:
 Se o planejamento da unidade didtica  adequado
 Se o professor consegue levar a trmino as atividades que
iniciou
 Como o professor explica os contedos
 Que mtodo de ensino adota
 Se o professor desenvolve atividades para comprovar a compreenso
dos contedos, atravs da explicao destes pelo
prprio aluno
 Se, em conseqncia da atividade acima, o professor adota
medidas de ajuste em sua prtica de ensino
 De que natureza so os ajustes que o professor proporciona
ao aluno
 que tipo de participao o professor pede ao aluno durante
a aula
29
 Se o professor utiliza ou no estratgias de aprendizagem
 Quais as atividades de avaliao o professor utiliza, e como
usa a informao obtida junto com os alunos
 Como  a relao afetiva do professor com os alunos
2. Definir o mtodo a ser utilizado para obter a informao
mais relevante
 A observao direta e a anlise qualitativa dos dados
parecem ser os instrumentos mais valiosos para obter as informaes
pretendidas. Sugere-se, inclusive, que sejam desenvolvidos
protocolos de observao, que podem ser compartilhados
por mais de um professor, e sempre complementados
para atender peculiaridades de alunos especficos.
3. Definir de que forma se deve dar a cooperao entre o
professor da sala de aula, e o professor de apoio.
A cooperao entre o professor da sala de aula e o professor de
apoio deve ser planejada em duas direes:
 Na elaborao dos protocolos de observao, que devem
obedecer os critrios de objetividade e de fidedignidade
 Na realizao da observao direta, propriamente dita.
Implementao de Apoios na Construo de
uma Educao Profissional Inclusiva
Como em qualquer outra modalidade de ensino, a Educao
Profissional, se pretender atender a todos, numa escola de qualidade,
dever se ajustar, em seus procedimentos, para ensinar
individualizadamente.
30
Para tanto, cada aluno precisa ser profundamente conhecido, pelo
professor, em seus interesses, competncias, habilidades, nvel de
aprendizagem j alcanado, conhecimentos j apreendidos,
conhecimentos em utilizao funcional, contedos que opera com
autonomia, contedos que opera com ajuda de terceiros, contedos
que no opera sequer com ajuda, limitaes diversas, suportes e
apoios necessrios para seu funcionamento, etc..
O ensino somente poder ser eficaz, caso ele responda s caractersticas
peculiares de aprendizagem de cada aluno.
Assim, faz-se essencial:
 Avaliar cada aluno, em particular,
 Identificar suas caractersticas funcionais no processo
de ensino e de aprendizagem,
 Identificar suas necessidades especficas, identificando as
necessidades especiais que apresenta,
 Identificar os suportes de que o aluno vai necessitar
para poder funcionar em seu nvel timo possvel,
 Planejar a implementao desses suportes ao longo
do tempo, implementando os suportes necessrios,
e,
 Avaliar os efeitos de suas aes no processo de aprendizagem,
de desenvolvimento e de aumento das possibilidades
de insero do aluno no mundo social, em geral, e no
mundo produtivo, em especial.
Parcerias com empresas e outras organizaes ligadas ao mundo
produtivo so importantes para favorecer ao aluno a experincia
refletida e consciente sobre o que  a atividade humana, o papel e
funo social do trabalho, o papel e funo do trabalho na
constituio da subjetividade e da identidade do ser humano, a
participao ativa e consciente na gesto do trabalho, enquanto
31
atividade pessoal, e enquanto pilar fundamental de uma sociedade,
j que  no mbito poltico-econmico que se constroem as
relaes de trabalho e as relaes que permeiam a vida na sociedade.
Objetivos de aprendizagem na Oficina
Pedaggica
A partir da avaliao e da elaborao do Plano Individualizado
de Aprendizagem, cada aluno ter um documento norteador
para seu processo de aprendizagem, contendo as habilidades e as
competncias gerais e especficas a serem alcanadas, de forma a
atender suas necessidades e desejos, levando em considerao
sua realidade de existncia e o conjunto de suas necessidades
especiais.
Cabe  escola buscar, junto s Escolas Federais, ao Sistema S,
s Organizaes no Governamentais, s Secretarias de Trabalho e
Emprego, informaes sobre o mundo ocupacional local, no que se
refere : demanda ocupacional, nvel de exigncia de qualificao
profissional, dentre outras informaes que devero nortear todo o
trabalho de ensino na Oficina Pedaggica.
Assim, ao final do programa vivenciado na Oficina Pedaggica, o
aluno dever, nas diferentes reas em que se d sua existncia real
e concreta, ser capaz de utilizar suas habilidades e competncias,
gerais e especficas, para a realizao das tarefas a ele apresentadas,
em qualquer situao do mundo ocupacional.
A seguir, apresentar-se- uma relao ampla de competncias e
habilidades a serem trabalhadas no mbito da Oficina Pedaggica.
Dentre estas, sero selecionadas aquelas que constituiro o Plano
Individualizado de Aprendizagem, para cada aluno, na forma de
objetivos de aprendizagem.
32
1. rea Econmica
Estrutura Econmica
 Autonomia  tem condies econmicas para viver s
custas de seu prprio trabalho, ou renda pessoal.
 Estabilidade  sua renda mensal  garantida, no estando
sujeita a alteraes inesperadas.
 Perspectiva  caracterizao da possibilidade econmica
do aluno, a longo prazo. Por ex. ele tem autonomia e
estabilidade que lhe garantam auto-suficincia, ou proviso
de recursos aps o falecimento de seus pais, ou dos
responsveis por ele?
2. rea Fsica
Perfil
 Tolerncia  qual seu limiar de tolerncia quanto ao tempo
de permanncia em uma determinada posio, quanto
 carga a suportar, etc..?
 Postura  posiciona-se corretamente? Necessita feedback
quanto  postura?
Necessidade de Adaptao
 Ambiente  necessita de mudanas nas caractersticas do
ambiente, para acessar, utilizar e usufruir o espao desejado?
 Maquinrio  necessita que os equipamentos e materiais
de um ambiente sejam adaptados para que o aluno
deles possa se utilizar?
 Objetos  necessita de modificaes nos objetos (colher,
garfo, etc..) para que deles possa se utilizar?
33
MODELO DE PLANILHA 1
REGISTRO DE RESULTADOS DO PROCESSO DE AVALIAO
COMPREENSIVA
Aluno:
Srie:
Unidade Escolar:
1 Esta Planilha  uma adaptao do modelo desenvolvido, na Sorri-Bauru, por
Aranha, M.S.F. e Figueiredo, L.C., com a colaborao da equipe de tcnicos e
instrutores da entidade (1999).
REA ITEM SUB-ITEM DES- NECES- SUPORCRI-
SIDADES TES
O ESPE- NECESCIAIS
SRIOS
Econmica
Fsica
Psicolgica
Estrutura
Econmica
Perfil
Necessidade
de
adaptao
Psicomotor
Capacidade
funcional
Psico-motor
Cognitivo
1. Autonomia
2. Estabilidade
3. Perspectiva
1. Tolerncia
2. Postura
1. Ambiente
2. De maquinrios
3. De objetos
1. Coordenao
2. Coordenao bi-manual
1. Destreza
2. Fora muscular
3. Coordenao culo-manual
(visomotora)
1. Esquema corporal
2. Lateralidade
3. Direcionalidade
4. Orientao espacial
5. Orientao temporal
1. Ateno
2. Percepo visual (cor,
forma, tamanho,
quantidade, natureza do
objeto, semelhana de
objetos)
3. Percepo auditiva
4. Discriminao ttil
5. Discriminao olfativa
6. Discriminao do paladar
7. Memria visual
34
Social
Afetivo 
emocional
Civil,
trabalhista e
previdencirio
Familiar
Comportamentos
sociais
adaptativos
Trnsito
8. Memria auditiva
9. Raciocnio concreto
10. Raciocnio abstrato
11. Pensamento lgico
12. Resoluo de problemas
1. Identidade pessoal e
representao social de
deficincia
2. Passividade X
Assertividade X
Agressividade
3. Segurana X Insegurana
1. Vnculos e documentao
1. Composio e organizao
familiar
2. sistema de interaes e
relaes familiares
1. Higiene pessoal:
 Conhecimento
 Res. social de HP
 Familiaridade
 Utilizao funcional rotineira
2. Aparncia pessoal:
 Conceituao
 Representao social
de cuidado pessoal
 Familiaridade
 Cuidado pessoal rotineiro
3. Alimentao:
 Conhecimento
 Familiaridade
 Hbitos alimentares
4. Dependncia /
independncia de hbitos
1. Sinalizao:
 Conhecimento
 Familiaridade
 Utilizao funcional rotineira
2. Regras:
 Conhecimento
 Familiaridade
 Utilizao funcional rotineira
35
Profissional
Transporte
Comunicao
Habitacional
Integrao
Comunitria
Relaes
Sociais
Objetivos
Interesse
Direitos /
deveres
trabalhistas
Direitos / deveres
previdencirios
Condies
e ambientes
de trabalho
Hbitos e
atitudes
para o
trabalho
1. Meios:
 Conhecimento
 Familiaridade
 Utilizao funcional rotineira
1. Meios:
 Conhecimento
 Familiaridade
 Utilizao funcional rotineira
2. Ocorrncia de vcios e
suas implicaes
1. Condies de vida familiar
(habitacionais, infra-estrutura)
1. Organizao estrutural do
bairro e localizao nele
2. Acesso e utilizao dos
recursos comunitrios
(sade, educao, lazer,
servio. pblico, infraestrutura,
habitao
1. Extra-familiares; amigos,
colegas, vizinhos,
conhecidos (padro de
interaes quanto ao
contedo e qualidade)
2. Com colegas de trabalho
3. com chefe / instrutor
1. Pessoais
2. Profissionais
1. rea
2. Profisses
3. Funes Ocupacionais
1. Conhecimento
2. Exerccio
1. Conhecimento
2. Exerccio
1. Espao fsico
2. Material
3. Instrumentos
4. Produtos
1. Assiduidade
2. Pontualidade
3. Cooperao
4. Organizao do material
36
5. Cuidado com o material
6. Aproveitamento do material
7. Limpeza do material / setor
8. Disciplina
9. Responsabilidade
10. Silncio no trabalho
11. Seriedade no trabalho
12. Aceitao da crtica
13. Aceitao de superviso
1. Qualidade
2. Produtividade
1. Identificao de fontes de
trabalho
2. Comportamentos de busca
de emprego
3. Preparo de documentao
4. Participao no processo
de recrutamento / seleo
1. Vocabulrio (contedo +
quantidade)
2. Estrutura gramatical
3. Pronncia
1. Vocabulrio (contedo +
quantidade)
2. Estrutura gramatical
3. Pronncia
1. Seqenciao numrica
2. Raciocnio numrico para
operaes matemticas
3. Operaes
4. Sistema mtrico
5. Discriminao da
organizao temporal
6. Reconhecimento e
utilizao de dinheiro
Educacional
Desempenho
Busca de
emprego
Linguagem
oral
Linguagem
escrita
Matemtica
37
REA ITEM SUB-ITEM DESCRIO NECESSIDADES SUPORTES
ESPECIAIS NECESSRIOS
EXEMPLO DE UTILIZAO DA PLANILHA
Aluno: xxxx
Srie: xxxx
Unidade Escolar: xxxx
Social Transporte 1. Meios:
 Conhecimento
 Familiaridade
 Utilizao
funcional
rotineira
 Conhece os
seguintes
meios de
transporte:
carro,
nibus,
trem, avio.
 Tem
familiaridade
com:
nibus
 No tem
autonomia
funcional
para
utilizao de
nenhum
meio de
transporte
 Necessita
suporte fsico
para utilizao
de qualquer meio
de transporte.
 Ensino sobre
meios de
transporte,
atravs de
estratgias
pedaggicas
baseadas no
concreto
 Treinamento
supervisionado
para uso de
meios de
transportes
 Veculos
adaptados
 Pessoa que d
apoio total para
identificao do
meio de
transporte a ser
utilizado, para
acesso e
acomodao no
veculo
 Instrutor
especializado
 Programa de
treinamento
SUPORTE NATUREZA QUEM VAI COMO VAI QUANDO VAI
PERMANENTE / MINISTR-LO MINISTR-LO MINISTR-LO
TEMPORRIO
MODELO DE PLANILHA
PLANO DE DISPONIBILIZAO DOS SUPORTES
IDENTIFICADOS COMO NECESSRIOS NO PROCESSO DE
AVALIAO COMPREENSIVA
Aluno:
Srie:
Unidade Escolar:
38
Pode-se constatar que a primeira planilha tem por objetivo favorecer
ao professor a descrio das caractersticas do aluno, no
que se refere a um vasto conjunto de competncias e habilidades,
bem como a identificao de suas possveis necessidades
especiais e dos suportes necessrios para viabilizar sua atuao.
J a segunda planilha permite ao professor descrever os suportes
que devero ser implementados, bem como planejar o processo
de disponibilizao dos suportes de que o aluno necessita.
39
CONCLUSO
Entende-se que a promoo do resgate e da utilizao mxima do
potencial de cada pessoa, a Oficina Pedaggica estar cumprindo
com seu papel, quando atender ao processo de desenvolvimento do
aluno com necessidades especiais, cumprir com seus objetivos de
promover o ensino de habilidades bsicas, promover o ajuste do
contexto social em que o aluno vive e finalmente, contribuir com o
desenvolvimento de seu exerccio de cidadania.
Afasta-se do adestramento puro e simples de habilidades, e
cumpre-se com o papel da educao e da escola, que , em ltima
instncia, formar pessoas e cidados ativos, conscientes, livres e
responsveis, no mximo das possibilidades de cada um, em todas
as etapas da escolaridade e modalidades de ensino.
Da mesma forma, entende-se que a educao profissional no
deve ser um processo que tem um incio num determinado momento
da histria escolar, mas sim, que deve iniciar-se na educao bsica,
perpassando todos os nveis e etapas da escolaridade.
Considerando a importncia do trabalho para o aluno com
necessidades educacionais especiais (como para todos os
demais), entende-se que cada componente curricular deve voltar-se,
transversalmente, para as questes relacionadas com o trabalho,
enquanto atividade de humanizao, enquanto ao de cidadania,
enquanto formador de identidade pessoal e social, enquanto elemento
de contribuio e de participao social, enquanto promotor de
autonomia, no mximo das possibilidades de cada um.
Assim, as Oficinas Pedaggicas devem ser o espao educacional
que dariam continuidade a esse processo permanente, destacandose
pela especificidade de objetivos, voltados para a formao do aluno
40
para atuao no mundo produtivo, ou seja, para a capacitao do
aluno para o desenvolvimento de atividade econmica, na qual possa
fazer uso de suas qualificaes ou aptides profissionais,  luz de
perspectivas de emprego / trabalho.
41
REFERENCIA BIBLIOGRFICA
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Princpio Educativo. Caderno de Pesquisa, no. 68. So
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Kuenzer, A. (1988). O trabalho como princpio eductivo. So Paulo:
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questo a ser repensada. IX Encontro dos profissionais que atuam
na rea da Educao para o trabalho. Florianpolis (SC):
F.C.E.E.
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